Desnorteadas

Nossa trajetória

Há 4 anos lançamos o nosso primeiro post nas redes sociais. Nascia para o mundo o projeto das Desnorteadas

A ideia foi proposta por Mariana Dias em uma mesa de bar para as amigas Isabella Dionísio e Mariana Campitelli

“Nos encontramos para falar sobre nossas vidas e disse a elas sobre a vontade de fazer uma série que falasse sobre conflitos que vivíamos em nosso dia a dia, sobre os sonhos e desafios de viver em um mundo em acelerada transformação e repleto de incertezas, mesmo pra quem teve uma boa formação e teoricamente se preparou para seu “futuro”. E que seria legal se fosse transmídia”, disse Mariana Dias.

Ela acabara de defender seu mestrado em Comunicação, onde estudou essas formas de contar histórias multiplataforma, em que os conteúdos presentes em cada mídia se complementam, formando um universo narrativo mais amplo.

As amigas toparam embarcar nessa jornada e convidamos algumas pessoas que conhecíamos para fazer parte do projeto, entre elas Angela Molinari, que tinha participado conosco da gravação de um filme. Traçamos os perfis das nossas personagens e esboçamos algumas questões para cada uma. Assim surgiram Tori, Brenda, Dani e Drica. A roteirista que participou desse processo inicial iria escrever o roteiro da primeira temporada.

Mas nem tudo correu conforme planejado. A ideia era em 2016 já filmar e lançar a websérie que seria a nave mãe do projeto, dialogando com os perfis das personagens nas redes sociais e com seu próprio canal de YouTube, que exibiria o programa Manual do Relacionamento. 

Na verdade, o próprio mecanismo de uma rede social acelerou o lançamento dos nossos perfis. Estávamos preparando os perfis das personagens no Facebook, mas esquecemos de seu famoso recurso “você conhece fulana de tal?”. Assim, de repente, começamos a receber mensagens de amigos, perguntando o que eram aqueles perfis com os nossos rostos. Tivemos que acelerar o processo e lançamos junto também o Instagram, mas… a websérie não saía. 

Primeiro post no Instagram - 30 de setembro de 2016

“Depois de um tempo achei que tínhamos que lançar logo o canal das personagens, pois não era possível sustentar por tanto tempo só um Instagram e perfis, ainda mais com uma limitação que o futuro diretor do projeto havia nos passado pra não inibir a criatividade de possíveis roteiristas: não postar nada que fosse narrativo. Dessa forma, só nos restava postar dicas e posts que reafirmavam as características das personagens. Até que em um bar encontrei um amigo que era editor e topou nos ajudar a fazer o canal das personagens acontecer”, relembra Mariana Dias.

Íamos criando esse conteúdo e nada do roteiro da série ficar pronto. Cada integrante do projeto ia tocando a sua vida. Enquanto continuávamos criando conteúdo, roteiristas entravam e saíam do projeto. Mariana Dias, que já havia também assumido a função de editara dos vídeos do canal, cansou de esperar e resolveu aprender a escrever roteiros. Estava já cursando o doutorado em Comunicação Social na PUC-Rio e conseguiu fazer, como ouvinte, as aulas da graduação de roteiro, dos professores e roteiristas Rafael Leal e Lucas Paraíso. Ia estudando e fazendo mais cursos, enquanto escrevia o roteiro da série, para o qual colaboraram também Fábio de Lima e Marina Burdman.

No final de 2018 já tínhamos o nosso roteiro completo e fizemos algumas leituras. Não foi fácil unir agendas e anseios. Mas conseguimos filmar a série no final de 2019 e gravar uma cena, que havia ficado pendente, em janeiro de 2020, ainda sem imaginar a pandemia que estava por vir.

A pós-produção foi realizada nesse período, com todos os desafios próprios ao processo, conjunturais e muitos extras. Mas vamos finalmente lançar a tão esperada série e esperamos que ela possa ser uma vitória para todos aqueles que passaram e permaneceram no projeto, já que foi fruto de muito trabalho e entrega.

Podemos dizer que, nesse período, aprendemos demais em todos os sentidos. Agradecemos a todos os envolvidos, equipe, parceiros, apoiadores e benfeitores. Sem todos vocês nada disso seria possível!

A pandemia também trouxe mais um desafio para o lançamento de uma série transmídia. Como criar um realismo imersivo de uma série que foi escrita e gravada sem saber que isso tudo poderia acontecer?

Não seria respeitoso com o público lançar cenas em que as pessoas estão se aglomerando, sem nenhum tipo de proteção, enquanto muitos estão ainda em casa se privando do convívio social. Consideramos que seria necessário, então, abrir mão do realismo imersivo e fazer as postagens da transmídia sempre deixando clara a data anterior à pandemia. Dessa forma, nossa série se tornou um convite a uma viagem no tempo, uma volta ao nosso passado recente que agora parece por vezes distante. E no retorno ao presente, que tal a reflexão sobre o que buscávamos e o que permanece? Ou sobre o que ainda queremos para esse futuro que esperamos?

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